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Augusto Pinz

Protetores de animais cobram castramóvel em Canguçu

Defensores da causa animal de Canguçu estão preocupados com a falta de implantação de um castramóvel no município. A ausência do serviço que atenderia cães e gatos que vivem nas ruas é apontada como um problema de saúde pública. Apesar de uma legislação especificamente sobre o assunto e o recebimento de recursos, até hoje, o projeto não saiu do papel.

A estudante e maquiadora Monique Pinheiro, 30, conta que há um número considerável de animais soltos nas ruas, o que tem causado perturbação não somente para os pedestres, mas também entre os próprios bichinhos. "Eles andam em grupos muito grandes, tem muita cachorrinha solta no cio e estão se reproduzindo. Esses animais às vezes acabam atacando os carros, podem atacar as pessoas, ser atropelados ou machucados. Então, o castramóvel é de vital importância" explica.

Segundo o projeto Amigos de Pêlo, somente na região central, a cidade possui atualmente entre 70 e cem animais vivendo em situação de rua, número que pode ser ainda maior se levar em consideração os bairros. Segundo o cofundador da ONG, Francisco Canez, 30, apesar do castramóvel ser de grande necessidade para o controle da reprodução, somente esse serviço não é o suficiente. "É de extrema importância que ocorra não apenas a aquisição do veículo adequado, como também a oferta de um espaço destinado exclusivamente aos processos cirúrgicos, pós-operatórios, equipe qualificada e habilitada", comenta.

Um problema que afeta a todos

Para Canez, a falta de implantação do serviço impacta na área da saúde se levar em conta a propagação de doenças e ataques a pedestres, principalmente quando estão em grupos devido à presença de cadela no cio.

Diante deste cenário de preocupação, em 2019, um grupo de pessoas se uniu e criou o Amigos de Pêlo que, desde então, faz o acolhimento de animais de rua e realiza resgates. Atualmente, uma das prioridades do grupo é com as castrações desses bichos que não possuem um lar. Caso eles não sejam acolhidos durante o período de recuperação, acabam tendo que voltar para o local de onde vieram. Para evitar que isso aconteça, são feitas campanhas de incentivo à adoção.

Cadê o dinheiro?

Segundo Monique, a prefeitura de Canguçu teria recebido R$ 160 mil para serem utilizados na aquisição do castramóvel. Porém, até agora nada foi feito. Ela conta que até um pedido de informações foi enviado pela Câmara de Vereadores, que recebeu como resposta que o custo do veículo seria de aproximadamente R$ 320 mil. "Contradiz algumas reportagens que a gente viu na internet de cidades que implantaram o castramóvel por R$ 129 mil. Nesses últimos dias a prefeitura tem argumentado que tem um projeto de castração para ser implementado, mas não foi passado nada de como vai funcionar", conta a estudante.

Já Canez, diz que ao questionar a prefeitura sobre o valor recebido, foi informado que o recurso havia sido destinado no combate à pandemia de Covid-19.

Uma legislação específica

Desde agosto de 2011, Canguçu possui lei que autoriza o Poder Executivo a proceder ações com a finalidade de instituir a esterilização gratuita de caninos e felinos como função de saúde pública. O documento ainda determina sua prática como método oficial para o controle populacional e de zoonoses, além de proibir o extermínio sistemático de animais urbanos.

Contraponto

Em nota, o Poder Executivo afirmou que está viabilizando ações para resolução efetiva do assunto e que a causa animal é prioridade para a gestão. "Quanto ao castramóvel, o município tem encontrado dificuldades em conseguir empresas interessadas na disponibilização de orçamentos para a montagem do valor de referência para a licitação de aquisição", diz o documento.

A prefeitura também ressaltou que um processo de licitação está sendo finalizado para ser publicado posteriormente, onde fará a contratação de clínica para realizar as castrações e acompanhamento do pós-operatório. O Executivo ainda informou que está ampliando a parceria com a ONG Morena Flor, que também fará a esterilização, além do acolhimento de animais em situação vulnerável.

Em relação ao recurso de R$ 160 mil oriundo de emenda parlamentar, o Executivo informou que a verba encontra-se na conta do município e não foi utilizada.

Demanda também em Pelotas

O pedido pela implantação de um castramóvel na Princesa do Sul também é antigo. Atualmente, o serviço ainda não está em funcionamento. Porém, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que trabalha na aquisição dos equipamentos necessários, como autoclave, monitor cardíaco e foco cirúrgico. Após esse processo, a pasta irá contratar uma empresa para realizar os atendimentos, já que atualmente a rede pública não conta com profissionais suficientes para atender no espaço. "Com a conclusão dessas etapas, esperamos colocar o Castramóvel em funcionamento o mais breve possível", destaca a secretária Roberta Paganini.

Segundo a prefeitura, enquanto o serviço não é executado, o controle populacional de animais é oferecido principalmente a pessoas em vulnerabilidade social. A chefe da Vigilância Ambiental em Saúde do município, Isabel Madrid, lembra que no início deste ano, ocorreu a assinatura de um convênio entre Pelotas e governo do Estado para oferta de castrações e que, agora, o Executivo aguarda o repasse do recurso.

Este mês, a SMS também abriu uma consulta para clínicas veterinárias interessadas em realizar o procedimento de esterilização dos animais, porém, não houve habilitados e o Poder Público estuda contratar por dispensa de licitação uma instituição para assumir o serviço.

DIÁRIO POPULAR-PELOTAS/RS


EMENDA LIBERADA DESDE 2020

A emenda parlamentar do deputado Cherini (PL-RS) informou, ainda em 2020, através de áudio pelo WhatsApp que estava liberada, naquela época, a emenda. Relembre:



Em maio de 2021 o Site Canguçu em Foco também publicou nota cobrando a efetivação.

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