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Cresol Canguçu/RS

Cresol Canguçu/RS

PASTELARIA PAZ - EM BREVE NOVIDADES

NOVANET

Augusto Pinz

O anjo, o santo e o pecador

      O Pecador escutava a orientação de um Santo, que vivia, ajoelhado, à porta de templo antigo, quando, junto aos dois, um Anjo surgiu na forma de homem, travando-se breve conversação entre eles.

     O ANJO – Amigos, Deus seja louvado!

     O SANTO – Louvado seja Deus!

     O PECADOR – Louvado seja!

     O ANJO (Dirigindo-se ao Santo) – Vejo que permaneceis em oração e animo-me a solicitar-vos apoio fraternal.

     O SANTO – Espero o Altíssimo em adoração, dia e noite.

     O ANJO – Em nome deste Altíssimo, rogo o socorro de alguém para uma criança que agoniza num prostíbulo.

     O SANTO – Não posso abeirar-me de lugares impuros...

     O PECADOR – Sou um pobre penitente e posso ajudar-vos, senhor.

     O ANJO – Igualmente, agora, desencarnou infortunado homicida, entre as paredes do cárcere...  Quem me emprestará mãos amigas para dar-lhe sepultamento?

     O SANTO – Tenho horror aos criminosos...

     O PECADOR – Senhor, disponde de mim.

     O ANJO – Infeliz mulher embriagou-se num bar próximo.  Precisamos removê-la, antes que a morte prematura lhe arrebate o tesouro da existência.

     O SANTO – Altos princípios não me permitem respirar no clima das prostitutas...

     O PECADOR – Dai vossas ordens, senhor!

     O ANJO – Não longe daqui, triste moça, abandonada pelo companheiro a quem se confiou, pretende afogar-se...  É imperioso lhe estenda alguém braços fortes para que se recupere, salvando-se-lhe também o pequenino que está em vias de nascer. Quem de vós me emprestará braços fortes?

     O SANTO – Não me compete buscar os delinqüentes senão para corrigi-los.

     O PECADOR – Determinai senhor, como devo fazer.

     O ANJO – Um irmão nosso, viciado no furto, planeja assaltar, na presente semana, o lar de viúva indefesa...         Necessitamos do concurso de alguém que possa dissuadi-lo de semelhante propósito, aconselhando-o com amor.

     O SANTO – Como descer ao nível de um ladrão?

     O PECADOR – Ensinai-me Senhor, como devo falar com ele.

     Sem vacilar, o Anjo tomou o braço do Pecador prestativo e ambos se afastaram, deixando o Santo em meditação, chumbado ao solo.

     Passaram-se anos e anos no tempo, que tudo alterara.  O local mostrava-se diferente.  O santuário perdera o aspecto primitivo e a morte despojara o Santo de seu corpo macerado por penitências e jejum, mas o crente imaculado aí se mantinha em Espírito agarrado ao local, na postura de reverência.

     Certo dia, sintonizando mais intensamente as antenas da prece, viu que alguém descia da altura, a estender-lhe o coração em brando sorriso.

     O Santo reconheceu-o.

     Era o Pecador, coberto de luz.

     - Então o Santo assombrado, perguntou-lhe: - Que fizeste para adquirir tanta glória?

     O Pecador iluminado, afagando-lhe a cabeça amavelmente, afirmou simplesmente:

     - Irmão, Eu apenas CAMINHEI!

Fonte: Livro, Contos Desta e Doutra Vida. Espírito irmão X / Chico Xavier.

“O lugar depois da morte a gente prepara é aqui neste mundo” Chico Xavier


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