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Cresol Canguçu/RS

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PASTELARIA PAZ - EM BREVE NOVIDADES

NOVANET

Augusto Pinz

Práticas integrativas suspensas, em Pelotas, durante pandemia

Vanessa (de vermelho) durante aplicação de Reiki.
Foto: Augusto Pinz/Congresso Holístico de Canguçu-Arquivo

A pandemia fez com que as pessoas se adaptassem a novos moldes, em vários âmbitos. Para as Práticas Integrativas Complementares (PICs) não foi diferente. Com as restrições impostas pelo distanciamento social, até mesmo o tratamento através das trocas de energia, que normalmente eram presenciais, como no caso do reiki, e a terapia da estimulação de pontos nas orelhas, como a auriculoterapia, precisaram ser suspensas na rede pública de saúde de Pelotas.

As Práticas Integrativas Complementares (PICs) podem ser definidas como terapias alternativas que podem ser utilizadas no tratamento de doenças crônicas, como dores em geral, hipertensão, alguns casos de depressão e ansiedade. Adotadas em Pelotas desde 2019, a auriculoterapia e o reiki eram oferecidas, até o início da pandemia, em seis Unidades Básicas de Saúde (UBS): Bom Jesus, Simões Lopes, Guabiroba, Virgílio Costa, Vila Nova e Cerrito Alegre. De acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), aproximadamente 15 profissionais são capacitados para exercer a auriculoterapia e 25 para o reiki.

Por se tratar de práticas em que o profissional necessita estar muito próximo do paciente, em função dos protocolos, e por atualmente as Unidades se tratarem de locais que recebem pessoas com suspeita ou casos de Covid-19, esse serviço precisou ser suspenso e não tem sido ofertado.

Reiki: Energia de cura

A terapia consiste na canalização da frequência energética por meio do toque ou aproximação das mãos de um terapeuta habilitado no método (mestre), sobre o corpo do paciente. De acordo com a agente comunitária de saúde Vanessa Caetano, uma das responsáveis pela aplicação da técnica em pacientes da UBS Guabiroba, "trata-se de uma troca de energia que é aplicada através das mãos impostas nos chakras principais do paciente".

Segundo a tradição mais conhecida, o ser humano possui sete chakras principais, responsáveis pelo funcionamento dos órgãos, seja aceitando ou liberando energias. Ocorre que às vezes os chakras encontram-se desalinhados, com fissuras ou obstruídos, e isto pode causar doenças físicas e emocionais. Com isso, a terapêutica tem o objetivo de fortalecer os locais onde se encontram bloqueios, ou "nós energéticos", eliminando as toxinas, equilibrando o funcionamento das células, de forma a restabelecer o fluxo de energia vital. Na prática, atua como uma terapia alternativa no tratamento de estresse, ansiedade, depressão síndrome do pânico, insônia, entre outros.

Devido as restrições por conta do agravamento da pandemia, a prática precisou ser suspensa nas UBS. De acordo com a mestre em reiki, é primordial um momento de conversa para entender o que está se passando com o paciente, e após tem inicio o procedimento terapêutico, aplicado a menos de 1,5 metro de distância. "Quanto a suspensão, nós estamos bem sentidos, creio que assim como os paciente. Na época que todos mais precisam, a gente não pode fazer nada", conta. Vanessa explica que tem adotado um método de canalização de energia a distância, porém os pacientes precisam de um contato, para sentir a vibração, o que agora não é possível.

A agente de saúde afirma ainda que com a interrupção no tratamento, algumas pessoas podem sofrer regresso com a terapia, e que os sintomas podem ser intensificados devido ao momento de estresse e solidão causados pela pandemia.

Auriculoterapia: Estimulo de pontos nas orelhas

O tratamento alternativo foca na estimulação com agulhas, sementes de mostarda, objetos metálicos ou magnéticos em pontos específicos da orelha para aliviar dores ou tratar diversos problemas físicos e psicológicos, como ansiedade, enxaqueca, obesidade e tabagismo. A enfermeira Maria Fernanda Espíndola, responsável pelo programa na UBS Virgílio Costa, afirma que os efeitos do tratamento nos pacientes eram considerados positivos, com redução de dores e melhora significativa nos quadros de depressão e ansiedade.

A enfermeira relata que na Unidade em que trabalha, a terapia foi muito bem acolhida pela comunidade. Todas as quintas-feiras, um grupo com cerca de 12 a 15 pessoas eram atendidas. Justamente por ser realizada com uma grande quantidade de pessoas dentro de um cômodo, a auriculoterapia também precisou ser suspensa. E assim como a pausa no reiki, Maria Fernanda também avalia como algo triste a combinação isolamento e falta do tratamento.

Também se adaptando ao atual momento, a dica de ambas as profissionais é de que, enquanto as terapias complementares não são autorizadas a retornar, é primordial seguir o tratamento indicado pelo médico, seja ele clínico geral ou psicólogo. A enfermeira da UBS Virgílio Costa ressalta que as PICs se tratam de auxílios à medicina tradicional e que todo o cuidado com físico/psicológico é de extrema importância, principalmente neste momento em que é preciso exercer o isolamento.

Diário Popular (Aline Klug)


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