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Cresol Canguçu/RS

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PASTELARIA PAZ

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Augusto Pinz

SindiBancários alerta sobre metas em bancos públicos e privados

O Rio Grande do Sul chegou, nesta terça-feira, 24/3, a 17.499 gaúchos(as) mortos como consequência da Covid-19 desde março do ano passado. E, mesmo que a taxa de ocupação de leitos esteja em 105,4% no Estado, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), bancos públicos e privados não se cansam de mandar para o front bancários que estão à beira do colapso nervoso. Mandar para o front aqui pode ser lido como mandar para a morte.

As declarações a seguir desta matéria foram colhidas por relatos feitos por bancários no portal de denúncias do SindBancários e diretamente à reportagem. Tais frases reproduzidas foram compiladas a partir de casos que ocorrem em agência de banco público e privado na área de abrangência do SindBancários.

Para mais bem esclarecer e simplificar, juntamos esses relatos e contamos como se fosse ora como bancário de banco público e ora de banco privado. Mas esses casos são corriqueiros. São epidêmicos em todo o país e resultam da percepção de que apenas a economia e o lucro dos bancos interessam. As vidas dos(as) bancários(as) estão em segundo plano.

Pandemia de assédio moral

A situação é tão grave que, nem mesmo sob bandeira preta no Rio Grande do Sul até a segunda-feira, 22/3, os bancos reduziram a cobrança de metas abusivas. Há uma verdadeira pandemia de assédio moral, falta de respeito e pressão para cumprir metas de vendas de produtos.

Há gestor de agência bancária reproduzindo a política genocida e negacionista do comportamento do presidente Jair Bolsonaro e do governador Eduardo Leite, que editou na noite da terça-feira, 23/3, o Decreto 55.806, liberando as filas em agências bancárias e lotéricas e fazendo com que os bancários se exponham nas ruas para organizar filas e distribuir senhas.

Mesmo antes desse decreto e durante as duas semanas de bandeira preta, o desrespeito já imperava. Os protocolos do Distanciamento Controlado estavam sendo descumpridos nas agências de bancos públicos e privados.

Os gerentes tomavam – e continuam tomando – cafezinhos com máscaras arriadas sobre o rosto como se nada tivesse acontecido. Faziam reuniões para pressionar colegas a irem para o setor de autoatendimento ajudar clientes em dificuldades. Enquanto isso, cobravam o cumprimento das metas diárias de venda de produtos de seguridade. Tudo isso em bandeira preta.

“Desde que começou a bandeira preta faziam reuniões para decidir quem ia ficar lá fora ou dentro da agência. Ninguém tem que ficar lá fora e se expor. É agendamento. Casos essenciais e por agendamento a gente atende”, disse bancário(a) de banco privado.

Outra questão disse respeito ao tipo de serviço essencial que os(as) bancários(as) do BB deveriam prestar para quem fosse direto à agência. “Pagar benefício, aposentadoria e alguma ou outra coisa é serviço essencial. Entendemos que temos que ajudar as pessoas que têm dificuldade de resolver problemas bancários. Mas estavam selecionando quem entrava. Como tem as metas, selecionavam o cliente com maior potencial de adquirir produtos. A superintendência continua cobrando metas de seguridade. Onde está a essencialidade de seguro, da previdência, de capitalização num momento como esse? Por que uma pessoa precisa urgentemente fazer um título de capitalização?”, acrescentou bancário de banco público.

“Estão boicotando o lockdown”

As denúncias dão conta de que os gestores estavam sendo obrigados ou tendo iniciativa própria, com o tácito consentimento da cadeia de comando do BB, a manter a normalidade do atendimento mesmo na bandeira preta.

“Duas semanas que trabalhei na bandeira preta e tinha dois colegas lá fora. Não era só quem era agendado. Entrava quem era selecionado. Olham o perfil do cliente. Estão boicotando o lockdown e não respeitam os protocolos”, denunciou colega de banco privado.

“Superintendência pede a matrícula de cada colega que está atendendo”

Como se o medo de trabalhar em uma agência bancária, como se o coronavírus não rondasse a vida lá fora já não fosse suficiente, os bancos estão indo além. Cobram metas abusivas e, em grupos de troca de mensagens, o gestor tira sarro de quem não atinge as tais metas sempre abusivas.

Quem deixa de atingir a meta, não passa constrangimento apenas no grupo de Whatsapp. A superintendência achou o velho jeito de constranger e piorar a vida de quem está com muito medo. “Eles pedem a matrícula de cada colega que está atendendo”, contou colega denunciante.

Está claro que os bancos estamparam e cobram de seus gestores imediatos que atuem como verdadeiros psicopatas. Pois que já há colegas em agências que chegam em casa na sexta-feira e ficam com febre no dia seguinte.

Talvez não seja mais um caso de Covid-19, mas pode ser resultado daquela doença que atinge os(as) bancários(as) sempre: a falta de respeito dos bancos com as vidas de clientes e de trabalhadores sob estresse e sofrimento psíquico.

“Acho que bateu o estresse. Estou afastado por motivo de saúde e por apresentar sintomas de Covid-19. Fiz o exame e espero o resultado. Tem colega que atende mais de 20 pessoas e ainda recebe pressão. Se é emergencial tem que ser o caixa e o gerente que ficam na agência. O resto vai pra casa trabalhar em home office. Está desse jeito a agência”, diz colega.

De fato, a questão já passou da esfera trabalhista. Virou crime. Quando o cliente negacionista e o gestor negacionista se juntam, a vida pede socorro. É gente pedindo informação com máscara de pano, é gerente que conversa sem máscara tomando cafezinho em plena bandeira preta, é colega que passa o dia no autoatendimento exposto ao coronavírus com máscara de pano.

“Isso não é questão trabalhista. É crime. Essa gente é genocida. Vai haver um tribunal do Covid. E essas pessoas todas vão ter que responder pelos seus atos porque são criminosas.”, disse colega.

“Negacionista ou idiota”

Leia abaixo frases de denúncias de bancários da área de abrangência do SindBancários.

“Para ir a uma agência lotada, tem que ser negacionista ou idiota. As pessoas não estão nem aí. Essas pessoas tinham que ser obrigadas a ficar em casa. Mas as pessoas estão perambulando na cidade. Está tudo aberto, mas está tudo vazio. Essa minoria que sai na rua é suficiente pra manter a pandemia.”

“Queriam até que fôssemos fazer visitas pra clientes.”

Fonte: Imprensa SindBancários


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