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Brasil registra primeira morte de presidiário por coronavírus

O Brasil registrou a primeira morte em presídios pelo coronavírus. A vítima foi um detento de 73 anos que morreu na última quarta (15) e estava em regime fechado no Instituto Penal Cândido Mendes, unidade para idosos no centro do Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária.
No país, já são 51 casos confirmados e 162 suspeitos da doença nos sistemas penitenciários, de acordo com informações enviadas pelos Estados ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen). O local com mais confirmações é o Distrito Federal (38), seguido de São Paulo, Pará (4), Pernambuco e Roraima (2).

Os dados, que estão disponibilizados na internet, foram atualizados na noite desta quinta, portanto ainda não incluem o caso do Rio de Janeiro. Segundo o governo fluminense, que não divulgou o nome da vítima, o homem havia sido transferido para a unidade Cândido Mendes no dia 21 de março.

No último dia 9, apresentou quadro de hipertensão arterial e foi encaminhado ao Pronto Socorro Geral Hamilton Agostinho, no Complexo de Gericinó, em Bangu (zona norte do Rio). Foi medicado e liberado, mas dois dias depois sentiu dores abdominais e voltou à unidade. Realizou exame de imagem, foi medicado e liberado novamente.

Na noite do dia 13, porém, ele necessitou de novo atendimento, apresentando sudorese fria e prostração. O paciente piorou de madrugada, após novo exame de imagem e de laboratório. No dia seguinte, ele foi colocado no ventilador mecânico, e o material para realizar o teste de coronavírus foi coletado.

Ele morreu na unidade de saúde de Bangu na quarta-feira, por volta das 10h40min, e o resultado do exame ficou pronto na noite desta quinta, dois dias depois da coleta.
O detento havia ingressado no sistema prisional em outubro de 2017, oriundo da Polinter (polícia interestadual), unidade da Polícia Civil do Rio responsável pelo controle dos mandados de prisão em conjunto com outros Estados. A secretaria não informou por que ele havia sido preso.

O homem passou por ao menos duas unidades prisionais diferentes em Japeri, na região metropolitana do Rio, antes de ser transferido para o Instituto Penal Cândido Mendes, na capital.

O local é destinado a presos com mais de 60 anos e tem capacidade para 246 pessoas, mas está superlotado — nesta quarta-feira, abrigava 305 apenados. A pasta não respondeu quantas pessoas estavam na mesma cela do detento.

"A Seap lamenta a morte do interno e esclarece que todos os apenados que tiveram contato com o preso estão isolados na unidade. A secretaria ressalta que os internos estão sendo acompanhados e todos os atendimentos médicos, quando necessários, estão sendo realizados no local. Qualquer saída da unidade só ocorrerá após autorização da Subsecretaria de Tratamento Penitenciário e análise médica", afirmou em nota.

Em São Paulo, o agente penitenciário Aparecido Cabrioti, 64, também morreu no último dia 3 por complicações em decorrência da covid-19. Ele estava de férias em Maceió quando passou mal e chegou a ficar internado por alguns dias na Santa Casa de Dracena, no interior paulista, antes de morrer.

Os dados nacionais do Depen só consideram as unidades geridas pelas secretarias de Administração Penitenciária dos Estados, portanto não incluem as geridas pelas secretarias de Segurança Pública. No RJ, por exemplo, já foram divulgados casos confirmados em unidades prisionais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, que não entraram na conta.
zh

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