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Eliezer Rutz Antenas

Cosulati negocia com estado e bancos dívida de R$180 milhões

Os reflexos da crise que atingiu a maior indústria de laticínios da Zona Sul nos últimos dois anos ainda são bastante claros. Perceptíveis não apenas pela redução do número de produtos com a marca Danby nas prateleiras dos mercados, mas também pelo impacto que tiveram sobre associados e, sobretudo, na capacidade financeira da Cooperativa Sul-rio-grandense de Laticínios (Cosulati).
Desde novembro administrando o processo de recuperação extrajudicial e trabalhando praticamente em silêncio, o desafio da nova direção é um só: renegociar. Com bancos públicos, governo e até mesmo produtores de leite, com quem ainda existem pendências.
O prazo é curto. São apenas dois anos em que a “trégua” obtida junto aos credores permitirá à Cosulati trabalhar sem a preocupação de que seu patrimônio seja requisitado pelos bancos como pagamento de empréstimos. Por isso, o atual diretor administrador da cooperativa, Airton Seyffert, tem sido bastante direto nos apelos feitos ao Palácio Piratini, ao Banrisul e ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). “O governo tem condições de nos auxiliar, são instituições públicas. Precisamos de maiores prazos e revisar os juros de forma que possamos honrar estes débitos e recolocar a cooperativa de pé”, explica.
E não é pequena a dívida diagnosticada por Seyffert e outros três produtores de leite da região que compõem seu grupo de administração. São R$ 180 milhões a pagar, valor superior a um ano inteiro de faturamento da Cosulati. Mais da metade desse total (R$ 97,7 milhões) é de empréstimos bancários. A maioria utilizada para financiar a expansão da fábrica de laticínios ocorrida entre 2006 e 2007 e garantir capital de giro. Grande parte desse dinheiro com prazo de pagamento se esgotando até meados de 2018. Ou seja, cada possibilidade de avanço nas tratativas é comemorada - discreta e internamente - na cooperativa.
Na segunda-feira a conversa dos diretores foi com o vice-governador José Paulo Cairoli e representantes da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Tudo para tentar convencer o governo a facilitar o pagamento de R$ 29 milhões em impostos atrasados. “Estamos articulando um período maior, de 120 meses, para quitar essa dívida tributária. Acreditamos que é possível chegar a um acordo que elimine cerca de R$ 7 milhões em juros e multas”, projeta Seyffert.
Paralelamente às negociações políticas, outras ações têm sido tomadas vislumbrando dar fôlego à Cosulati.
A principal delas é o novo foco. Com o frigorífico de Morro Redondo e a fábrica de rações de Canguçu desativados desde o ano passado e sem condições de reativação com capital próprio, a cooperativa centra suas atenções aos produtos derivados do leite. Tanto para o mercado interno quanto para exportação. Leite em pó, com 1,2 mil toneladas/mês, e UHT, com 1 milhão de litros/mês, são os carros-chefes.
“Centramos em um mix de oito produtos lácteos com suas variações. Se economicamente precisamos reerguer a Cosulati, do ponto de vista da nossa marca e da qualidade dos produtos continuamos uma referência. E é com isso que trabalharemos”, aponta o diretor da cooperativa. A projeção é que já nos próximos meses seja retomada a fabricação de queijos, parada há três anos.

Produtores apostam na recuperação
Base da pirâmide que sustentou o sucesso e o crescimento da cooperativa, os produtores de leite também estão entre aqueles que aguardam para receber o que lhes é devido. Dos pouco mais de 700 associados, 501 têm algum valor pendente. A diretoria afirma que está trabalhando para zerar essa conta o quanto antes.

Atualmente, mantém os pagamentos do mês em dia a todos estes - e aos mais de 4 mil que fornecem matéria-prima através de cooperativas parceiras - e pouco a pouco vai saldando valores atrasados.
Produtor de leite na localidade de Cerrito Alegre, 3º Distrito de Pelotas, Jéferson Maciel segue a tradição do pai, associado e fornecedor da Cosulati desde sua fundação. Diariamente envia para a indústria do Capão do Leão 1,5 mil litros. Embora reconheça que o momento econômico não é favorável, crê que em breve o cenário poderá melhorar.
“É claro que nós, produtores, vivemos com a incerteza. Mas estamos juntos, acreditamos que a única forma de manter toda essa cadeia em funcionamento é mantendo a produção. Os pagamentos de quem fornece leite estão sendo regularizados. Isso é fundamental”, diz.

SAIBA MAIS
Com o fechamento de duas plantas industriais e a transferência da sede administrativa para a unidade de Capão do Leão, a Cosulati busca formas de rentabilizar seu patrimônio, estimado em R$ 260 milhões. Confira a situação de cada um deles:

Sede administrativa - O prédio na praça 20 de Setembro deverá ser vendido. O Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) chegou a iniciar negociações em 2016 para adquirir o local.
Unidade frigorífica - Situado em Morro Redondo, o abatedouro está parado e atualmente apenas 16 funcionários estão em atividade no matrizeiro, locado para uma cooperativa de Teutônia. Duas empresas negociam com a Cosulati uma parceria para reativar a produção de frangos.
Unidade de rações - Localizada em Canguçu, no momento tem parte de sua estrutura locada para armazenagem de grãos. É de interesse da Cosulati ter uma parceira que injete capital de giro para reativar a produção.
Unidade de laticínios - Única em funcionamento, no Capão do Leão. Pode processar até 700 mil litros de leite por dia, mas trabalha atualmente com metade da capacidade, inclusive fabricando leite em pó para cooperativas de Treze Tilhas (SC) e Tapejara (Norte do Estado, a 546 quilômetros de Pelotas). Objetivo é ampliar a produção terceirizada para outras indústrias, ocupando melhor a estrutura e garantindo maior aporte de recursos.

Colaboradores
Hoje a cooperativa tem 278 colaboradores, uma redução de 17% em relação a novembro de 2016. Nesse período, a folha salarial foi enxugada em 38%. Segundo Seyffert, os cortes se deram "no topo da pirâmide, para manter todos os salários em dia".


São 4 mil produtores que fornecem leite em 42 municípios gaúchos, sendo pouco mais de 700 associados diretos.

A DÍVIDA
Total - R$ 180 milhões


R$ 97,7 milhões em empréstimos bancários (54,3%)
R$ 29 milhões em impostos e multas (16,1%)
R$ 3,5 milhões em pagamentos a produtores (1,9%)
R$ 49,8 milhões em débitos com outros fornecedores (27,7%)

FATURAMENTO
R$ 170 milhões por ano.

*Com informações do Diário Popular

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1 comentários:

Anônimo disse...

E sobre a dívida com ex funcionários eles não comentam nada??Nenhum posicionamento??