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Eliezer Rutz Antenas

TRAGÉDIA ANUNCIADA: MINAS DO CAMAQUÃ

As minas do Camaquã ficaram famosas pelo ciclo da exploração do cobre, que ativou e desativou algumas vezes. A paisagem é única e representa a riqueza e a diversidade de cenários que formam o nosso Pampa Brasileiro. Mas esse lindo lugar, onde há anos levo turmas de alunos, está novamente ameaçado pela mineração. No período do cobre a falta de tecnologia e controle contaminou arroios e o grande rio Camaquã, que chegou a ser descrito como um rio morto, sem peixes e sem vida.

Agora é a vez do chumbo, no denominado Projeto Caçapava do Sul - uma joint venture entre a Mineração Iamgold Brasil e a Votorantim Metais Holding, que tem como objetivo desenvolver a lavra e o beneficiamento de minerais polimetálicos no Estado. Um investimento estimado em R$ 371 milhões, projetado para extrair 36 mil toneladas de chumbo, 16 mil de zinco e cinco mil de cobre. Será a primeira planta brasileira a operar sem barragens de contenção e os empreendedores prometem controle absoluto nas operações, mas ninguém é capaz de garantir que erros e acidentes não voltarão a acontecer e na prática os benefícios apontados para a região podem ser menores que os prejuízos de uma nova contaminação do ambiente e das pessoas.

A mineração é a cultura de uma safra só e a riqueza desse local é um potencial econômico em si mesmo, seja pelo turismo ou pelo desenvolvimento de atividades sustentáveis, de baixo impacto, que visam o aproveitamento da paisagem, sem esgotar os recursos e sem ameaçar a biodiversidade. Aliás, este é um modo de vida que já existe na região e não pode ser ignorado, inclusive foi reconhecido pelo governo, na forma do Arranjo Produtivo Local (APL) Alto Camaquã.

Além disso, grandes projetos de mineração costumam sobrepujar esforços na direção de alternativas econômicas, depreciam o produto local e criam dependência a um único fator de geração de renda. Trata-se de uma parceria internacional e é possível que os metais extraídos sejam beneficiados fora do país, gerando empregos e impostos mais robustos em outro lugar. Ademais, a atividade da mineração é das menos taxadas no Brasil e normalmente o que sobra ao município explorado é o dano ambiental irreparável e a frustação de viver num lugar pior.

De outra parte, a falta de esclarecimentos e transparência, quanto aos detalhes do empreendimento incomoda bastante. Para este tipo de atividade, mesmo que não haja o acúmulo de rejeitos, o risco envolvido deve ser visto dentro de um contexto, na perspectiva da paisagem. No caso de um acidente ou erro operacional, o dano não se limitará ao local, podendo se estender por todo o rio Camaquã, até a sua foz, na Lagoa dos Patos. E se algo assim acontecer, outras atividades do nosso motor econômico serão postas em risco, como o cultivo do arroz.

Portanto, o fato das pessoas estarem se posicionando de forma contrária ao projeto não significa que estejam sendo manipuladas, pelo contrário, é consciência pura. Talvez esteja faltando informação no que está sendo proposto. Também, não está em julgamento a competência dos profissionais da engenharia, tampouco se desconsidera os avanços tecnológicos alcançados na atividade da mineração. Fala-se de precaução, segurança e transparência no processo. Na dúvida não façam, primeiro escutem as pessoas, principalmente as que moram na região ou que podem ser afetadas pela atividade.

Por: Prof. Marcelo Dutra da Silva
Ecólogo| dutradasilva@terra.com.br

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