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Eliezer Rutz Antenas

A batalha diária pela conquista do respeito

Quebrar tabus. O lema da Organização Não Governamental (ONG) Vale a Vida é direto. Esboça a necessidade de construir uma sociedade de e para todas e todos. Outras entidades, como a Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans (LGBT), também se debruçam em cima da causa da inclusão. Uma importante conquista do esforço árduo de enfrentar o preconceito e a discriminação de gênero e sexualidade é o ingresso no mercado de trabalho formal. Ainda assim, há muito para evoluir.

Com a bandeira da diversidade em punhos, a ONG concentrou a maior parte de seus 17 anos de trabalho em incluir socialmente pessoas que convivem com o HIV positivo. Atualmente, ampliou sua rede de atendimentos. Conforme o educador social da ONG, Juliano Machado, na sede da Vale a Vida crianças e idosos participam de atividades em grupos de convivência. O espaço serve de palco para o diálogo. “Recebemos pessoas trans, pessoas em situação de rua… Aqui orientamos sobre prevenção. É um trabalho constante”, descreve.

O público atendido pela ONG pode encontrar no local espaço e privacidade. Ao lado de Juliano, a psicóloga da ONG, Sônia Malisia Cabral, que é também fundadora da Vale a Vida, salienta que apesar dos avanços há muitas barreiras a serem quebradas. A casa acolhe pessoas que, por exemplo, não são de Pelotas e vêm para consultar, porém não têm onde passar o dia até o horário de seu compromisso. “A gente busca dialogar com essas pessoas, além de aproximar a família da trans. Fazemos tratamento psicológico com elas, incentivamos essas pessoas”, relata.

Violência
O índice de violência contra pessoas trans demonstra a necessidade de quebrar tabus. Até julho de 2016, no Brasil, 75 trans foram assassinadas, nove trans cometeram suicídio, 26 sofreram tentativa de homicídio e 28 foram agredidas. Entretanto, a violência não está resumida a atos brutais. Ela pode estar na forma de olhar, no comentário irônico sobre a aparência, na insistência em chamar a pessoa pelo nome o qual ela não se identifica. Sônia avalia que o constrangimento que essas pessoas sofrem em locais públicos contribui para o seu afastamento da vida em sociedade.

Em diversos casos, as dificuldades começam no colégio, em sala de aula, então, elas largam os estudos cedo - quando a descoberta sobre a própria identificação floresce - e, mais tarde, ficam com menos opções de atividades no mercado de trabalho. Então, buscam possibilidades diversas e acessíveis para poderem se sustentar. Em quase 90% dos casos, encontram na prostituição uma chance.

Minorias
Contudo, há aqueles 10% restantes, que aos poucos se expandem. Técnica em enfermagem, Marcelle Oliveira, 40, enfrenta o preconceito todos os dias, sempre que veste a própria personalidade. “Se esconder no preconceito por ser minoria é fácil. Todo dia que a gente se veste de mulher, a gente vai à luta”, enfatiza.
Ela conseguiu trocar sua documentação civil, porém, antes disso, há 22 anos já apresentava-se às pessoas como Marcelle. Mas houve ocasiões em que sua palavra e sua aparência não foram suficientes: alguns insistiam em chamá-la pelo seu nome masculino. “Tem gente que faz questão de não chamar pelo nosso nome”, desabafa. Em relação a seus empregos, celebra não ter sofrido situações constrangedoras entre pessoas que conviveu.

Um dos empregos que Nayara Lemos, 29, lembra com carinho é como caixa de supermercado. Natural de Rio Grande, a hoje assistente social acredita que o contato com público em seus trabalhos facilita a sua autoconfiança. Nayara é trans desde a adolescência, por volta dos 17 anos. Filha de militar, sua vivência é muito positiva: conta sempre ter recebido apoio e carinho da família. “A gente ouve coisas na rua, mas tem que ter foco. Tudo é mais difícil pra gente, então precisamos concentrar e pensar no nosso futuro”.

Informe-se

ONG Vale a Vida
Rua Dom Pedro II, 1.066
Funciona de segunda a sexta-feira, entre 8h e 18h, sem fechar ao meio-dia
3222-6176

*Trans - Pessoa que trocou de gênero (masculino para feminino ou vice-versa)


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