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Religiões de matriz africana são importante herança cultural da luta da população negra, mas ainda sofrem preconceito. Acesse www.brasil.gov.br/intolerancia-religiosa e saiba mais.


Religiões de matriz africana surgiram como resistência à colonização e à escravidão

As várias religiões que existem hoje no Brasil com origem nos antepassados africanos são produtos de rearranjos culturais da época da escravidão colonial brasileira, na qual o sincretismo religioso existia como forma de resistência para que a população negra pudesse manter sua fé.

É o que explica o professor de filosofia da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador de religiões de matrizes africanas Wanderson Flor do Nascimento. “As religiões são brasileiras, porque são criadas no Brasil, mas com elementos de religiões africanas. O sincretismo é uma característica de toda religião, porque nenhuma religião surge do nada. Mas, neste caso específico, há uma cultura de resistência ao colonialismo”.

Apesar do que chamou de rearranjos culturais, Nascimento diz que as religiões de matrizes africanas, como o candomblé, o batuque, o xangô e tambor de mina mantém elementos da estrutura de organização social das regiões africanas e seus ancestrais. “Não há um Deus único, elas normalmente cultuam a natureza, que não pode ser dissociada da natureza humana, já que o ser humano faz parte da natureza e precisa dela para sobreviver. Outra característica é a composição coletiva e familiar, porque é importante lembrar da ancestralidade. Por isso existe pai e mãe de santo”, conta.

Num País de maioria cristã, muitas vezes as religiões de matrizes africanas encaram a intolerância por parte de indivíduos de outros credos. Mas, para o professor, o preconceito vai além de uma questão estritamente religiosa. “O nome ‘intolerância religiosa’ não consegue descrever o que acontece com esses povos. Há várias outras religiões que não são cristãs e não são atacadas da forma que vem ocorrendo, como templos sendo destruídos”.

O pesquisador defende que, na verdade, o preconceito contra religiões de matrizes africanas tem como base o preconceito racial, no que ele chama de racismo religioso. “São religiões que sustentam um não-cristianismo de origem negra. E a associação do negro e o demônio é algo que está no imaginário há muito tempo. Dizem que é bruxaria, mas temos várias religiões que estão ligadas com ritos mágicos e não vemos esses cultos atacados. Associam os cultos das religiões de matrizes africana ao demônio, mas o demônio nem existe dentro dessas religiões”.

Mobilização contra a discriminação

Para que seja possível atingir o objetivo de combater a discriminação racial, é preciso o combate ao preconceito nas suas formas mais sutis. Nascimento conta que uma das formas de racismo religioso está nas expressões pejorativas comumente usadas, como se referir aos praticantes de determinadas religiões como “macumbeiros”.

Ele conta que o que é conhecido como "macumba", palavra que na verdade é nome de instrumento musical utilizado em alguns cultos religiosos, surgiu com as práticas religiosas no Rio de Janeiro no século 19 que articularam a umbanda. Diferente das outras religiões de matrizes africanas, a umbanda junta elementos indígenas, africanos e kardecistas cristãos. Tentar reduzir diferentes práticas e religiões a uma única coisa, para o professor, é uma das formas de preconceito.

“É dimensão da estratégia racista achar que todas as religiões fazem a mesma coisa. O que é problemático porque não é verdade", explica. "O uso do vocabulário para falar do mal prega, de forma sutil, que qualquer religião de matriz africana é necessariamente uma coisa ruim. Ao usar esses termos de forma pejorativa, como ‘macumbeiro’, se diz de forma implícita que todas tem a mesma forma e cultuam a mesma coisa: o mal”.

Fonte: Portal Brasil

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